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domingo, 1 de maio de 2011

MATÉRIA: Estudantes de Pernambuco refletem sobre racismo criando vídeos

FONTE: http://www.ondajovem.com.br/noticias.asp?idnoticia=9105

28/04/2011
Para combater o preconceito racial, o professor de História e Sociologia Anderson Ramalho criou o projeto Um Ayê Nagô – um educar para a igualdade racial. A iniciativa, que teve início há três anos e envolveu jovens do 9º ano do ensino fundamental, foi desenvolvida na escola Fundação Bradesco de Jaboatão (PE). O professor conta que se assustou ao notar que diversos estudantes de origem afrodescendente não se reconheciam como tal, muitas vezes se identificando como brancos ou pardos de forte herança europeia.

Ramalho explica que esse tipo de situação acontece com frequência no Brasil e é motivado, principalmente, “pelos instrumentos de opressão utilizados pelas elites nacionais durante a conturbada história política do país, que foram fundamentais para construir em nós um estigma de que ser descendente de africano era algo a ser desprezado”. Diante deste cenário, o professor criou métodos práticos e dinâmicos para recontar a história da cultura africana, tão importante para a formação do povo brasileiro.

Vídeos, revistas e jornais de grande circulação foram utilizados para estimular a reflexão dos estudantes. A partir de debates e atividades, Ramalho lançou um desafio: um trabalho especial, que consistia na criação de vídeos documentários sobre as pesquisas e as temáticas lançadas em sala de aula. “A proposta foi aceita de imediato”, conta o professor. Os jovens saíram “a campo” para iniciar suas gravações, produzindo seus próprios roteiros e textos. Os alunos captaram imagens na escola e em espaços considerados históricos, como o Alto da Sé, em Olinda, Pernambuco.

Segundo o idealizador do projeto, o resultado de Um Ayê Nagô – um educar para a igualdade racial foi produtivo e muito positivo: Ramalho afirma que houve uma mudança de atitude dos alunos, que começaram a demonstrar um novo olhar sobre esta temática, “bem mais crítico e atrelado às responsabilidades sociais e étnicas que todos os brasileiros deveriam ter ao falar de seu país”.

Mas, para este professor, o trabalho ainda não terminou. A finalidade primária foi alcançada, mas o grande objetivo ainda levará tempo. “O projeto deve crescer e continuar em outras gerações, permitindo que os estudantes repassem isso para suas famílias, para que todos possam se reconhecer como brasileiros”, finaliza ele.

Em 2010, o projeto Um Ayê Nagô – um educar para a igualdade racial recebeu a primeira colocação entre as escolas privadas na categoria A Educação em Direitos Humanos na Escola no Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos, organizado pelo Ministério da Educação, Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), em parceria com a Fundação SM. A relação completa dos ganhadores do PNEDH está disponível em: www.educacaoemdireitoshumanos.com.br.

Fonte: Fundação SM
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