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terça-feira, 8 de novembro de 2011

AGORA SIM: Estudantes da USP entram em greve após reintegração e prisões

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1003754-estudantes-da-usp-entram-em-greve-apos-reintegracao-e-prisoes.shtml


08/11/2011-21h38

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em uma assembleia com cerca de 2.000 pessoas, os estudantes da USP decidiram nesta terça-feira por uma greve geral, após a prisão de 72 pessoas na manhã de hoje. Os estudantes querem a saída da Polícia Militar do campus, na zona oeste de São Paulo.

Os grevistas reinvindicam a saída do reitor João Grandino Rodas, a saída da Polícia Militar do campus, a implementação de um programa paralelo de segurança, a libertação dos presos e a não punição dos que participaram da invasão do prédio da reitoria da universidade.
"A greve é expressão do sentimento dos estudantes depois da entrada da Tropa de Choque na USP", afirma João Victor Pavesi, 25, aluno de geografia e diretor do DCE (Diretório Central dos Estudantes).
Nesta terça-feira, 72 pessoas foram presas durante a reintegração de posse da reitoria. Segundo o delegado Dejair Rodrigues da Seccional de São Paulo, outros três alunos foram levados e liberados em seguida porque não estavam envolvidas na invasão do prédio da universidade, ocorrida na madrugada do dia 2 de novembro.
Inicialmente a PM informou que 70 alunos estavam detidos. Por volta das 20h, a polícia reviu o número e informou que entre os 72 há quatro funcionários da USP e um aluno da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica).
FIANÇA
Os alunos pagaram a fiança de R$ 545 cada um, e devem ser liberados ainda hoje, de acordo com o advogado Felipe Gomes Vasconcelos, que defende os estudantes.
De acordo com Vasconcelos, o valor total, de R$ 39.240 foi arrecadado com sindicatos, entidades e movimentos sociais. Após o preenchimento dos alvarás de soltura, todos os estudantes devem fazer exame de corpo de delito no IML.
De acordo com o delegado seccional Dejair Rodrigues, eles estão sendo autuados em flagrante por desobediência a ordem judicial, dano ao patrimônio público e crime ambiental.
REINTEGRAÇÃO DE POSSE
A reintegração ocorrreu por volta das 5h desta terça-feira. Segundo a PM, os estudantes estavam dormindo quando a operação começou. Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque e da Cavalaria da PM foram acionados, além de um helicóptero Águia e de policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e do GOE (Grupo de Operações Especiais).
Os militares, portando cassetetes e escudos, fizeram um cordão de isolamento ao redor do prédio e retiraram os estudantes, que não resistiram à prisão. O prédio foi entregue pela polícia a um oficial de Justiça, já que a operação foi motivada por um mandado judicial.

Rahel Patrasso/Frame/Folhapress
Estudantes que haviam invadido a reitoria da USP são rendidos por policial militares
Estudantes que haviam invadido a reitoria da USP são rendidos por policial militares; 70 alunos foram detidos
VIOLÊNCIA
Os estudantes detidos reclamam do tratamento que receberam da polícia. "A atuação foi brutal, uma presença muito forte e desproporcional. Para que agredir os estudantes, usando algemas? Os policiais quebraram várias portas da reitoria onde a gente nem tinha entrado. Temos consciência de que essa perseguição é política", disse Paulo Fávaro, 26, aluno de artes visuais.
Sob a condição de anonimato, os pais dos estudantes também reclamaram da atuação da PM. Numa folha de papel, eles escreveram uma carta à mão em que criticam a operação.
"Nós, pais de alunos da USP, repudiamos o modo como foi conduzido pela reitoria o processo envolvendo o movimento dos estudantes. Repudiamos a ação repressiva e truculenta das forças policiais no campus da universidade nessa madrugada de terça-feira. Estamos indignados com o fato de que uma instituição educativa utiliza como principal instrumento de solução de conflito social o uso da força policial. Nossos filhos são estudantes e não bandidos e estão em defesa de uma universidade onde existam debates democráticos", diz o texto.
O major da PM Marcel Soffner afirmou que a reintegração de posse foi tranquila e sem confronto. Sobre os possíveis abusos, o major informou que toda operação da PM foi gravada e as suspeitas de agressões serão apuradas. "Tudo foi documentado e, se houver qualquer suspeita, vamos apurar", disse.
HISTÓRICO
Os acontecimentos que levaram à ocupação da reitoria tiveram início no dia 27 de outubro, quando três alunos da USP foram detidos por posse de maconha. Houve reação de colegas, que investiram contra a PM. Policiais usaram bombas de efeito moral e cassetetes para levar os rapazes à delegacia --depois eles foram liberados.
Na mesma noite, um grupo de cem estudantes invadiu um prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Na terça passada, mais de mil alunos realizaram uma assembleia que decidiu, por 559 votos a 458, pela desocupação do edifício.
A minoria derrotada, porém, decidiu invadir a reitoria. A USP toda tem cerca de 82 mil alunos (50 mil só na Cidade Universitária).
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