Investimento nos jovens pode transformar a sociedade
08/04/2011
Ajudar jovens moradores de áreas carentes a driblar as estatísticas negativas e provar que é possível ter uma vida diferente da que tiveram seus pais e avós é comprovadamente uma forma de promoção do desenvolvimento da nação, com impacto na economia e no aumento da viabilização da justiça social.
Em seu último relatório global, o Unicef revelou que investir na proteção e no desenvolvimento da população de 1,2 bilhão de adolescentes do mundo pode romper ciclos de pobreza.
Segundo o estudo, a desigualdade é um dos principais fatores que impedem os adolescentes de aumentar seu grau de escolarização, além de expô-los a situações que vão do desemprego à violência.
Muitas vezes encarada como uma etapa de riscos, a adolescência é também o melhor período para ganhos na condição social. Com o incentivo correto, esses jovens têm o poder de transformar sua realidade, criando um círculo virtuoso de conhecimento, emprego, geração de renda e desenvolvimento.
No Brasil a situação não é diferente. Infelizmente, grande massa de jovens que moram em áreas pobres, ditas de vulnerabilidade social, ainda têm pouca ou nenhuma possibilidade de acesso a programas de formação técnica, que viabilizem sua inserção na economia de forma digna.
Seja como empregado, via mercado de trabalho formal, seja como autônomo, ou mesmo abrindo um pequeno negócio, que possa gerar renda para si e seu núcleo familiar.
Fica evidente que é preciso atender às necessidades desse público, tão representativo quanto estratégico para o Brasil, seja por meio de políticas públicas ou iniciativas privadas.
Em Minas Gerais, uma iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez demonstra que é possível dar ao jovem de área carente uma nova visão de mundo e uma qualificação profissional que a escola tradicional muitas vezes não pode oferecer.
Esse projeto, iniciado em 2008, com o apoio do órgãos federais, estaduais e das prefeituras de Belo Horizonte e Nova Lima, em parceria com a Fundação Dom Cabral, oferece cursos de qualificação na área de conservação de bens móveis e imóveis do patrimônio cultural.
No Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte, estudantes da rede pública de ensino têm contato com disciplinas específicas da área da conservação e matérias complementares como história, fotografia, empreendedorismo, ética e cidadania, entre outras.
Para manter a permanência no curso, os participantes recebem bolsa-auxílio, vale-transporte, uniforme, lanche e todo o material necessário para as aulas. Os participantes saem do curso como assistentes de restauração em um mercado com grande demanda.
A experiência tem demonstrado que os jovens passam por um profundo processo de transformação pessoal, com ampliação da auto-estima e crença no papel que podem ter como atores na comunidade em que vivem.
Fonte: Brasil Econômico/ Afonso Cozzi, coordenador do Núcleo de Empreendorismo da Fundação Dom Cabral
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