08/11/2011 - 12h06
Centenas de estudantes da USP fizeram um protesto por volta das 10h20 desta terça-feira contra a atuação da Polícia Militar na Cidade Universitária, após 70 alunos serem presos na reintegração de posse da reitoria.
Os estudantes leram um manifesto e entoaram palavras de ordem como "Fora PM" e "Abaixo a repressão". O protesto terminou por volta das 11h40, e os manifestantes saíram em passeata até o 91º DP, na av. Gastão Vidigal (zona oeste), onde os invasores estão detidos.
| Cristina Moreno de Castro/Folhapress | ||
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| Caixas de rojões e coquetéis molotov encontrados pela polícia após reintegração de posse na reitoria da USP |
Outro ato de protesto foi marcado para as 14h, no prédio do curso de História.
Mais cedo um, um protesto realizado no prédio do curso de Letras provocou confusão. Um grupo de manifestantes bloqueou as entradas do prédio com mesas e cadeiras e agrediu alunos que tentavam entrar para assistir aula. Por volta das 8h, alunos do curso disseram que as aulas haviam sido canceladas pelos professores.
Segundo a reitoria, as aulas da universidade estão normais. As atividades do prédio desocupado serão retomadas nesta quarta-feira (9), e hoje o local será limpo e organizado. Até o fim do dia será feito um levantamento dos danos causados pela invasão.
FIANÇA
Os estudantes detidos durante a reintegração de posse serão autuados em flagrante por desobediência a ordem judicial, dano ao patrimônio público e crime ambiental.
Segundo o delegado seccional Dejair Rodrigues, a perícia feita no imóvel pela Polícia Civil encontrou paredes pichadas, portas arrombadas e câmeras de segurança quebradas, o que configura dano ao patrimônio. Os outros dois crimes atribuídos aos estudantes ocorreram devido ao desrespeito ao mandado de reintegração e pela pichação.
De acordo com Rodrigues, eles terão que pagar uma fiança de R$ 1.050, que pode ser recalculada segundo suas condições econômicas. "Se não pagarem a fiança, eles vão ficar na carceragem do 91º DP", disse.
OPERAÇÃO
Segundo a PM, os estudantes estavam dormindo por volta das 5h, quando a operação começou. Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque e da Cavalaria da PM foram acionados, além de um helicóptero Águia e de policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e do GOE (Grupo de Operações Especiais).
Os militares, portando cassetetes e escudos, fizeram um cordão de isolamento ao redor do prédio e retiraram os estudantes, que não resistiram à prisão. O prédio foi entregue pela polícia a um oficial de Justiça, já que a operação foi motivada por um mandado judicial.
| Rahel Patrasso/Frame/Folhapress | ||
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| Estudantes que haviam invadido a reitoria da USP são rendidos por policial militares; 70 alunos foram detidos |
ASSEMBLEIA
Os estudantes haviam decidido, em assembleia realizada na noite de ontem (7), manter a ocupação, apesar do fim do prazo dado pela Justiça para deixarem o local.
Após a votação, alguns estudantes agrediram jornalistas. Um cinegrafista caiu após ser empurrado e um fotógrafo teve a câmera arrancada e machucou as mãos --ele foi levado ao hospital.
O clima ficou tenso e, após os grupos ficarem separados, os alunos arremessaram pedras na direção dos jornalistas. Um cinegrafista foi atingido e ficou levemente ferido.
No momento do tumulto, não havia guardas universitários nem PMs no local. Após a confusão, um representante dos invasores disse que havia ocorrido uma "situação isolada".
| Eduardo Anizelli/Folhapress | ||
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| Grupo de estudantes que invadiu a reitoria da USP entra em confronto com jornalistas na noite de segunda (7) |
RESISTÊNCIA
Na assembleia, vários estudantes disseram estar dispostos a resistir caso a PM fizesse a reintegração de posse.
Mais cedo, às 18h, uma reunião de negociação entre representantes da reitoria e alunos terminou em impasse.
O superintendente de relações institucionais da USP, Wanderley Messias da Costa, chegou a deixar a sala onde ocorria o encontro.
A proposta apresentada à tarde pela universidade previa que os alunos e funcionários não fossem punidos por participar da invasão.
A reitoria também manteve a oferta de criar grupos para discutir o convênio com a PM --principal motivo da invasão-- e revisar processos administrativos contra estudantes.
Os alunos, no entanto, consideraram a proposta insuficiente, já que havia chance de novos processos caso ficasse provado que houve vandalismo no prédio invadido.
Os acontecimentos que levaram à ocupação da reitoria tiveram início no dia 27 de outubro, quando três alunos da USP foram detidos por posse de maconha. Houve reação de colegas, que investiram contra a PM. Policiais usaram bombas de efeito moral e cassetetes para levar os rapazes à delegacia --depois eles foram liberados.
Na mesma noite, um grupo de cem estudantes invadiu um prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Na terça passada, mais de mil alunos realizaram uma assembleia que decidiu, por 559 votos a 458, pela desocupação do edifício.
A minoria derrotada, porém, decidiu invadir a reitoria, onde hoje há cerca de 50 manifestantes --a USP toda tem cerca de 82 mil alunos (50 mil só na Cidade Universitária).
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