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domingo, 24 de abril de 2011

MATÉRIA: Educação sexual é lição de casa para professores



Educação sexual é lição de casa para professores
24/04/2011
A educação sexual vem sendo debatida há décadas, mas elementos novos, como as recentes discussões sobre homofobia, trazem à tona a necessidade de informar crianças e adolescentes sobre a realidade que os cerca. A mudança no contexto social desperta a necessidade de convivência com os mais variados conceitos de sexualidade.

Prova disso é a pesquisa "Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar" , que mostra que 87,3% dos 18,5 mil entrevistados (entre pais, mães, professores e alunos) têm preconceito contra as escolhas diferentes da heterossexualidade. Conversas sobre sexo entre pais e filhos ainda são um tabu e as escolas nem sempre se mostram preparadas para acolher o assunto em sala de aula de forma competente.

De acordo com Vera Belardi, psicóloga especializada em educação sexual, apenas entre 35% e 40% dos professores têm algum tipo de preparo para falar sobre sexualidade com seus alunos.

Os limites são variados. Alguns simplesmente não conhecem o assunto, outros têm preconceito em relação a muitas questões sexuais e há aqueles que detêm o conhecimento formal mas têm dificuldade em transmiti-lo, por falta de didática ou mero constrangimento pessoal.

"Fiz especialização em sexualidade e trabalhei muitos anos em escola. Sempre notei essa falta de preparo não só das famílias para falar da questão sexual, mas dos próprios professores que não conseguem abordar o aluno", conta Vera, professora e idealizadora do curso.

Para mudar esse quadro, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) inicia dia 25 deste mês o curso Sexualidade Responsável e Qualidade de Vida, com o objetivo de capacitar pessoas que lidam com crianças e adolescentes a abordar questões sobre sexualidade responsável, saúde sexual, reprodutividade e qualidade de vida. As aulas serão realizadas às segundas-feiras, entre 19h30 e 22h30, completando 34 horas-aula.

Segundo Anete Fernandes, coordenadora, o curso tem o objetivo de dar suporte à população, já que os ministrados pela PUC anteriormente foram destinados a profissionais de saúde.

Com as informações adquiridas, os educadores estarão capacitados a falar de sexualidade de forma transversal nas disciplinas comuns ao ensino fundamental e médio, ou seja, não haverá um momento específico para falar de educação sexual, mas o tema poderá permear matérias como biologia ou educação física.
A medida atende às premissas dos parâmetros curriculares nacionais estabelecidos pelo MEC em 1996, que recomenda, entre outras coisas, que o tema orientação sexual seja mesclado às outras disciplinas.

Abordagem correta

O tema sexualidade deve ser abordado a partir da educação infantil, segundo Mary Neide Damico Figueiró, especializada em psicologia escolar e educação sexual. "Desde pequena a criança tem de ter tranquilidade para falar sobre o assunto e saber que ela pode perguntar para adultos e coleguinhas", conta Mary Neide, que também é responsável pela formação continuada de professores na Universidade Estadual de Londrina.

Mary Neide conta que o trabalho é iniciado com conceitos estabelecidos do professor, usando a ciência para passar as informações para que eles entendam a diversidade sexual, por exemplo.

O curso da PUC seguirá os mesmos preceitos. "Os professores vão ter acesso ao conhecimento científico. Não serão abordadas questões religiosas ou dogmáticas", explica Vera Belardi.

Além de trabalhar os temas relacionados às questões sexuais concomitantemente com as disciplinas curriculares, Mary Neide defende que as escolas reservem um momento para abordar a educação sexual com exclusividade, dentro do horário escolar ou em uma atividade extracurricular, em encontros semanais ou quinzenais.

Mary Neide também acredita que o ideal é a educação sexual ser feita por um professor inserido no cotidiano dos alunos e não educadores alheios ao ambiente habitual. Primeiro porque as crianças e os jovens tendem a confiar mais em alguém que já faça parte do seu cotidiano e também porque a educação sexual deve ser continuada e não formada apenas por palestras esporádicas.

"O professor normalmente está mais próximo do aluno e o êxito da educação sexual depende disso", diz Mary Neide. As palestras pontuais, segundo ela, podem ser proveitosas para que os jovens complementem as informações já recebidas pelos professores

Fonte: Brasil Econômico/ Weruska Goeking

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