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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Especial sobre o estudante Alcides da UFPE no ano passado
Especial sobre o estudante Alcides da UFPE no ano passado
consultar em http://www2.uol.com.br/JC/sites/alcides/legado001.html
Ver na página o documentário "Os Outros" e vários textos .
A morte de Alcides foi injusta, brutal. Extremamente violenta. Mas não se pode dizer que tenha sido silenciosa. Trouxe consigo uma revolta com a falta de segurança no Recife e uma comoção popular rara de se encontrar nos dias atuais.
Jovem, pobre e negro. Alcides carregava as três características das pessoas mais suscetíveis à violência. Como ele, já morreram tantos outros. Vários Alcides escondidos na periferia do Recife e de várias cidades brasileiras. Pernambuco ainda é o segundo estado onde morrem mais negros, atrás apenas da Paraíba.
Alcides que sonham, brigam, lutam. Vencem, fracassam. E desafiam diariamente as estatísticas, numa corda bamba entre a vida e a morte. Um limite muito tênue, que se dissolve na lágrima de uma mãe ou no gatilho de um revólver. Foi assim com Alcides, será assim com vários outros.
A morte do estudante deixou, além da imagem brutal na mente da família, um sentimento contínuo de insegurança e insatisfação em boa parte da sociedade pernambucana.
Esta mesma sociedade aterrorizada não deixou de prestar homenagens àquele que se transformou em símbolo da resistência, da luta contra a desigualdade e a injustiça social. Alcides, além de estudar na UFPE, trabalhava no Hemope e sustentava quase sozinho a mãe e três irmãs. Era também um dos melhores alunos de Biomedicina, segundo o professor Paulo Miranda. E planejava começar o curso de medicina. Mais um sonho interrompido na vida do jovem.
O acusado pela morte de Alcides, João Guilherme Nunes Costa, está preso no Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima. O adolescente que também teria participado do crime está na Funase (Fundação de Atendimento). Eles já estão à disposição da Justiça. O juiz Ernesto Bezerra Cavalcanti, da 1ª vara do Tribunal do Júri do Recife, já ouviu todas as partes do processo. Ministério Público e defesa também já fizeram suas alegações finais. O juiz deve decidir, em breve, se o caso deve ir ou não a júri popular.
DOCUMENTÁRIO
Sobre esses sobreviventes, os jornalistas Erika Castaneda, Jaime Cavalcanti, Paula Sampaio e Pedro Escobar produziram o documentário "Os outros". Nele, são mostradas as histórias das catadoras de lixo Maria das Dores, que trabalhava na Mirueira, e Nice Bezerra, nora de Maria. A filha de Nice, Natália, 16 anos, sustenta um filho com dificuldade. O marido da adolescente vive de "bicos" e ela não trabalha. "Meu sonho é sair daqui", diz Nice. Luiz Francisco, carroceiro, diz que só pede um presente ao filho: que ele estude.
O cientista político José Maria Nóbrega traz relevante contribuição ao documentário, ao explicar o porquê da comoção social causada pela morte de Alcides. "Um jovem, mesmo estando no grupo entre 20 e 29 anos de idade, do sexo masculino, negro e de baixo nível de renda, se ele consegue ter um alto nível de escolaridade, ou seja, se ele consegue ultrapassar os doze anos de estudo, dificilmente ele é vitimado. Quando isso ocorre, há um impacto muito grande".
Outros personagens do documentário são os estudantes universitários Sandro Silva de Lima, Igor Gomes e Waneska Viana, todos egressos de escola pública. "Alcides conseguiu chegar [na Universidade], mas existem muitos Alcides que não conseguem. Isso tem que ser visto", comenta Waneska. Enviar para o Twitter
consultar em http://www2.uol.com.br/JC/sites/alcides/legado001.html
Ver na página o documentário "Os Outros" e vários textos .
A morte de Alcides foi injusta, brutal. Extremamente violenta. Mas não se pode dizer que tenha sido silenciosa. Trouxe consigo uma revolta com a falta de segurança no Recife e uma comoção popular rara de se encontrar nos dias atuais.
Jovem, pobre e negro. Alcides carregava as três características das pessoas mais suscetíveis à violência. Como ele, já morreram tantos outros. Vários Alcides escondidos na periferia do Recife e de várias cidades brasileiras. Pernambuco ainda é o segundo estado onde morrem mais negros, atrás apenas da Paraíba.
Alcides que sonham, brigam, lutam. Vencem, fracassam. E desafiam diariamente as estatísticas, numa corda bamba entre a vida e a morte. Um limite muito tênue, que se dissolve na lágrima de uma mãe ou no gatilho de um revólver. Foi assim com Alcides, será assim com vários outros.
A morte do estudante deixou, além da imagem brutal na mente da família, um sentimento contínuo de insegurança e insatisfação em boa parte da sociedade pernambucana.
Esta mesma sociedade aterrorizada não deixou de prestar homenagens àquele que se transformou em símbolo da resistência, da luta contra a desigualdade e a injustiça social. Alcides, além de estudar na UFPE, trabalhava no Hemope e sustentava quase sozinho a mãe e três irmãs. Era também um dos melhores alunos de Biomedicina, segundo o professor Paulo Miranda. E planejava começar o curso de medicina. Mais um sonho interrompido na vida do jovem.
O acusado pela morte de Alcides, João Guilherme Nunes Costa, está preso no Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima. O adolescente que também teria participado do crime está na Funase (Fundação de Atendimento). Eles já estão à disposição da Justiça. O juiz Ernesto Bezerra Cavalcanti, da 1ª vara do Tribunal do Júri do Recife, já ouviu todas as partes do processo. Ministério Público e defesa também já fizeram suas alegações finais. O juiz deve decidir, em breve, se o caso deve ir ou não a júri popular.
DOCUMENTÁRIO
Sobre esses sobreviventes, os jornalistas Erika Castaneda, Jaime Cavalcanti, Paula Sampaio e Pedro Escobar produziram o documentário "Os outros". Nele, são mostradas as histórias das catadoras de lixo Maria das Dores, que trabalhava na Mirueira, e Nice Bezerra, nora de Maria. A filha de Nice, Natália, 16 anos, sustenta um filho com dificuldade. O marido da adolescente vive de "bicos" e ela não trabalha. "Meu sonho é sair daqui", diz Nice. Luiz Francisco, carroceiro, diz que só pede um presente ao filho: que ele estude.
O cientista político José Maria Nóbrega traz relevante contribuição ao documentário, ao explicar o porquê da comoção social causada pela morte de Alcides. "Um jovem, mesmo estando no grupo entre 20 e 29 anos de idade, do sexo masculino, negro e de baixo nível de renda, se ele consegue ter um alto nível de escolaridade, ou seja, se ele consegue ultrapassar os doze anos de estudo, dificilmente ele é vitimado. Quando isso ocorre, há um impacto muito grande".
Outros personagens do documentário são os estudantes universitários Sandro Silva de Lima, Igor Gomes e Waneska Viana, todos egressos de escola pública. "Alcides conseguiu chegar [na Universidade], mas existem muitos Alcides que não conseguem. Isso tem que ser visto", comenta Waneska. Enviar para o Twitter
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Matéria Movimento estudantil ganha fôlego com temporada de protestos no mundo inteiro (Folha de S. Paulo, Janeiro de 2011)
FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folhateen/864047-movimento-estudantil-ganha-folego-com-temporada-de-protestos-no-mundo-inteiro.shtml
24/01/2011 - 09h56
Movimento estudantil ganha fôlego com temporada de protestos no mundo inteiro
DIOGO BERCITO
IURI DE CASTRO TÔRRES
DE SÃO PAULO
Dezembro de 2010. Um jovem de 26 anos coloca fogo no próprio corpo, na Tunísia, dando início a protestos. Em janeiro, cai o ditador Ben Ali, no poder há 23 anos.
Tarifa de ônibus é luta da geração atual brasileira
Veja a cobertura dos protestos contra aumento da tarifa de ônibus
Nos últimos dois meses, protestos reuniram milhares de jovens em países como Reino Unido, França, Grécia, Itália, Turquia e Venezuela.
Enquanto o movimento estudantil ressurge mundo afora, no Brasil, ele segue tímido: não reúne quantidade expressiva e sofre descrédito por conta do assédio ou da ligação com partidos políticos.
Há menos de um mês, em Brasília, apenas 80 jovens foram ao Congresso Nacional reclamar do aumento de 62% no salário de parlamentares.
Em São Paulo, o Folhateen acompanhou manifestantes nos dias 13 e 20, em passeatas contra a nova tarifa do ônibus (R$ 3). Os protestos foram organizados pelo Movimento Passe Livre.
No dia 20, segundo o primeiro-tenente da Polícia Militar André Zandonadi, 3.000 pessoas estavam na Paulista.
Era a primeira manifestação de Gabriel Casnati, 16. "É uma causa que merece. Vi que isso vai me afetar."
A reportagem encontrou por acaso o estudante Daniel Cabrel, 17, que foi do grupo de apoio do Folhateen. Ele estava em sua sexta manifestação. "É um jeito de levantar a bunda da cadeira e dizer "não quero mais isso'", diz.
Durante os atos, participantes reclamavam da baixa adesão e da presença ostensiva das bandeiras de partidos políticos, apesar de o MPL declarar ser apartidário.
"Há pessoas ligadas a partidos, mas a passagem de ônibus atinge toda a população", diz Bárbara Borba, 23.
Para Ricardo Caldas, cientista político da Universidade de Brasília, quando os movimento sociais são usados como ferramenta política, suas causas se enfraquecem. "Hoje, a juventude é menos politizada, menos mobilizada e vai menos às ruas."
Para Christina Andrews, cientista social da Universidade Federal de São Paulo, é próprio da juventude lutar por igualdade. "A motivação é a mesma há 30 anos."
"É importante que os jovens saiam às ruas", diz Caldas. "Isso mantém o senso crítico da sociedade e aponta novas lideranças políticas."
-
NÚMEROS
16% dos brasileiros entre 16 e 25 anos participam de passeatas ou de protestos públicos
(Fonte: "Juventude, Consumo e Cidadania", pesquisa da ESPM)
Apenas 5% dos jovens entre 16 e 25 anos participam de entidantes estudantis
(Fonte: Pesquisa Datafolha "Jovens Brasileiros", de abril de 2008)
200 mil estudantes foram à avenida Paulista em 25 de agosto de 1992 pedir o impeachment do presidente Collor
(Fonte: "Movimentos Juvenis na Contemporaneidade", de Luis Antonio Groppo, Michel Zaidan Filho e Otavio Luiz Machad)
-
EU PROTESTO
"Aqui em São Paulo o Kassab aumenta a passagem de ônibus a um preço absurdo. No Rio, tentam acabar com o passe-livre dos estudantes. Eu protesto porque isso é inadmissível, e só resistindo a gente evita os desmandos dos governantes. Mas se cada um pensa que assim saísse pra protestar, aí surtiria mais efeito. O que não adianta é ficar parado."
Uirá de Sá Ozzetti, 18, é estudante e milita na Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre e no PSTU
EU NÃO PROTESTO
"Não protesto. Nas manifestações de rua, as pessoas acabam sendo mal vistas, porque os outros acham que elas só estão fazendo algazarra. É claro que acho importante mobilização para defender direitos, mas deveria ser toda a população,e não só os estudantes. Gostaria de mudar, porque as pessoas estão baixando a cabeça, mas não teria coragem de ir às ruas."
Mariana Alves da Silva, 18, estudante Enviar para o Twitter
24/01/2011 - 09h56
Movimento estudantil ganha fôlego com temporada de protestos no mundo inteiro
DIOGO BERCITO
IURI DE CASTRO TÔRRES
DE SÃO PAULO
Dezembro de 2010. Um jovem de 26 anos coloca fogo no próprio corpo, na Tunísia, dando início a protestos. Em janeiro, cai o ditador Ben Ali, no poder há 23 anos.
Tarifa de ônibus é luta da geração atual brasileira
Veja a cobertura dos protestos contra aumento da tarifa de ônibus
Nos últimos dois meses, protestos reuniram milhares de jovens em países como Reino Unido, França, Grécia, Itália, Turquia e Venezuela.
Enquanto o movimento estudantil ressurge mundo afora, no Brasil, ele segue tímido: não reúne quantidade expressiva e sofre descrédito por conta do assédio ou da ligação com partidos políticos.
Há menos de um mês, em Brasília, apenas 80 jovens foram ao Congresso Nacional reclamar do aumento de 62% no salário de parlamentares.
Em São Paulo, o Folhateen acompanhou manifestantes nos dias 13 e 20, em passeatas contra a nova tarifa do ônibus (R$ 3). Os protestos foram organizados pelo Movimento Passe Livre.
No dia 20, segundo o primeiro-tenente da Polícia Militar André Zandonadi, 3.000 pessoas estavam na Paulista.
Era a primeira manifestação de Gabriel Casnati, 16. "É uma causa que merece. Vi que isso vai me afetar."
A reportagem encontrou por acaso o estudante Daniel Cabrel, 17, que foi do grupo de apoio do Folhateen. Ele estava em sua sexta manifestação. "É um jeito de levantar a bunda da cadeira e dizer "não quero mais isso'", diz.
Durante os atos, participantes reclamavam da baixa adesão e da presença ostensiva das bandeiras de partidos políticos, apesar de o MPL declarar ser apartidário.
"Há pessoas ligadas a partidos, mas a passagem de ônibus atinge toda a população", diz Bárbara Borba, 23.
Para Ricardo Caldas, cientista político da Universidade de Brasília, quando os movimento sociais são usados como ferramenta política, suas causas se enfraquecem. "Hoje, a juventude é menos politizada, menos mobilizada e vai menos às ruas."
Para Christina Andrews, cientista social da Universidade Federal de São Paulo, é próprio da juventude lutar por igualdade. "A motivação é a mesma há 30 anos."
"É importante que os jovens saiam às ruas", diz Caldas. "Isso mantém o senso crítico da sociedade e aponta novas lideranças políticas."
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NÚMEROS
16% dos brasileiros entre 16 e 25 anos participam de passeatas ou de protestos públicos
(Fonte: "Juventude, Consumo e Cidadania", pesquisa da ESPM)
Apenas 5% dos jovens entre 16 e 25 anos participam de entidantes estudantis
(Fonte: Pesquisa Datafolha "Jovens Brasileiros", de abril de 2008)
200 mil estudantes foram à avenida Paulista em 25 de agosto de 1992 pedir o impeachment do presidente Collor
(Fonte: "Movimentos Juvenis na Contemporaneidade", de Luis Antonio Groppo, Michel Zaidan Filho e Otavio Luiz Machad)
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EU PROTESTO
"Aqui em São Paulo o Kassab aumenta a passagem de ônibus a um preço absurdo. No Rio, tentam acabar com o passe-livre dos estudantes. Eu protesto porque isso é inadmissível, e só resistindo a gente evita os desmandos dos governantes. Mas se cada um pensa que assim saísse pra protestar, aí surtiria mais efeito. O que não adianta é ficar parado."
Uirá de Sá Ozzetti, 18, é estudante e milita na Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre e no PSTU
EU NÃO PROTESTO
"Não protesto. Nas manifestações de rua, as pessoas acabam sendo mal vistas, porque os outros acham que elas só estão fazendo algazarra. É claro que acho importante mobilização para defender direitos, mas deveria ser toda a população,e não só os estudantes. Gostaria de mudar, porque as pessoas estão baixando a cabeça, mas não teria coragem de ir às ruas."
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